terça-feira, 30 de junho de 2009

Reflexão: Filme “O Homem que Copiava”.

Uma verdadeira cópia da realidade brasileira. A história é a de um cara simples, André (Lázaro Ramos). Pobre, honesto, que trabalha numa papelaria em Porto Alegre como operador de “máquina de xerox”. Nas horas livres ele faz ilustrações e espia vizinhos com um binóculo, mais especificamente Sílvia, interpretada por Leandra Leal, pela qual tem uma paixão secreta. André é capaz de apreender informações tão somente por intermédio de trechos das cópias que faz durante seu trabalho na fotocopiadora. Pedaços de poemas, capítulos de livros, pesquisas escolares... A trama se inicia com ele num supermercado, sem grana pra pagar minguadas compras e logo depois queimando dinheiro. Ele trabalha durante o dia, na companhia de Marines, balconista insinuante, que tem como meta encontrar um marido rico. Surge também Cardoso (Pedro Cardoso), atendente de uma loja velharias, um tipo próximo da malandragem. O filme se desenvolve a partir da tentativa de André em conseguir dinheiro para conquistar Sílvia, tarefa que o coloca no centro de uma grande confusão, envolvendo traficantes, chantageadores e a polícia. O Homem que Copiava, trata de temas pesados, como abuso sexual, assalto, assassinatos. Chega a ser amoral. André parece estar o tempo inteiro desorientado, sofrendo com a insuficiência de recursos. É uma figura típica do cotidiano brasileiro, que sofre pelas suas condições sociais e a falta de um bom emprego, na ânsia de subir de vida acaba por cometer vários crimes. Através do amor de Sílvia, que começa a se esboçar um sentido para vida de André. Num dos momentos mais lindos do filme, o casal caminha a beira de rio e ela lhe explica verso a verso um soneto de Shakespeare, cujo tema é justamente o tempo. A ironia é o “final feliz”: os quatro terminam ricos e aparentemente felizes, apesar da amoralidade dos gestos que os levaram a tal situação: falsificação, assalto e até homicídio. O filme mostra a fragilidade moral do “brasileiro” e transmite a mensagem de que o crime não compensa.

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